Muito antes de ganhar o coração de pessoas de todo o mundo, as Cataratas do Iguaçu eram território guarani, povo indígena de uma área que abrange parte de Bolívia, Paraguai, Argentina e Brasil.
O povo guarani – “guerreiro” ou “homem valente”, em seu idioma – possuía exímios artesãos, caçadores, pescadores e agricultores. Era conhecido por defender sua cultura e a terra, a qual via não como posse, mas como espaço sagrado das forças da natureza e de espíritos ancestrais, voltado para o bem comum.


Qual não foi o assombro, diante do rio que os guaranis chamavam de água grande – “Iguaçu” -, do espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca, em sua primeira viagem à América do Sul, para assumir o cargo de governador da então província do Rio da Prata, cuja capital era Assunção.
Em 31 de janeiro de 1542, a expedição de Cabeza de Vaca navegava pelo rio Iguaçu quando enfrentou uma forte correnteza que, pouco adiante, desabava subitamente de 80 metros de altura. Eram as Cataratas do Iguaçu. O grupo conseguiu sair da água a tempo e teve de contornar por terra os enormes saltos.


Com o propósito de “civilizar” e “evangelizar” os guaranis, a coroa espanhola enviou padres jesuítas que fundaram, em 1609, no atual Paraguai, a primeira de 30 missões na região, que duraram quase 150 anos.
Quanto às Cataratas do Iguaçu, atualmente divididas por Brasil e Argentina, a proteção de uma imensa área de natureza ocorre desde a década de 1930, em ambos os lados, próximo ao ponto onde os dois países se encontram com o Paraguai.
Hoje, a tríplice fronteira é o legado dos guaranis, de espanhóis e portugueses, mas também de afrodescendentes, de asiáticos e de outros europeus que para cá rumaram, desenvolvendo um polo de encantos naturais, de comércio internacional, de lazer e gastronomia, e de geração de energia limpa e renovável.


